5.5.02

Estou cagando para o que pensam de mim. Principalmente os que não me conhecem. E aqueles que me conhecem, bem, se não podem me compreender, então devem sair da minha vida.

Tenho alguns amigos. Pessoas que estão sempre em algum canto da minha vida. Contatos reais e virtuais, conversas divertidas, apoios irrestritos. Mas é inegável que o que me move a manter essas amizades é um interesse pelo que elas podem me oferecer. Okay, isso é a base para qualquer relacionamento. Entendo isso muito bem. Tudo é interesse, no fim das contas. O que eu não posso aceitar é que mesmo quando há esse interesse, eu perco a vontade de dividir, de me entregar e ser acessível. Prefiro o meu pedestal, ainda que ele carregue a minha solidão.

As pessoas são descartáveis. Saber disso me assustou por muito tempo. Eu não entendia como todos podiam ser tão interessantes por alguns momentos e depois podiam se tornar tão aborrecidos. Pensei que o problema estivesse em mim e comecei a questionar se eu não seria a mais descartável de todas essas pessoas. E acho que sou, mesmo. Não tenho nada a oferecer. Sou egoísta. Não sei me dedicar à compreensão humana e costumo usar a expressão "foda-se" com uma freqüência absurda. Eu não me importo, mesmo.

30.4.02

Quero crer que as coisas vão ficar bem, que os pesadelos vão acabar e tudo vai voltar ao normal. Mas não consigo ter certeza disso. Daí a minha pouca vontade de falar sobre. Melhor esperar. Talvez não exista mais um motivo para existir, então.

25.4.02

Inferno! Seja parte da minha vida ou desapareça dela, mas não me deixe aqui plantada olhando pela janela. Não tenho mais com que me embriagar. E preciso dormir ao menos por duas horas para conservar o que ainda resta de vida aqui. Entenda isso. Me ajude.

Ou então me liberte de uma vez. O que eu não suporto é a angústia do não saber. É acordar durante a noite com a sensação que você está aqui. É não dormir durante a noite esperando que você chegue.

Diga a que veio, por favor. Não ponha esses olhos em cima de mim novamente como se estivesse só de passagem. Venha para ficar.

Não, eu sei que não. Porque eu não te mereço. Porque depois eu vou querer te destruir quando você disser "desculpe, foi engano". E sempre é engano.

Vai acender a maldita luz?

E se eu gritar bem alto? Será que você conseguirá me ouvir? Vai me abraçar, então?

Eu tenho medo, sabe? Tenho muito medo da escuridão que há lá fora. Ao mesmo tempo, a claridade me incomoda. Porque há certas coisas que eu não quero enxergar nunca mais.

Onde está você, menino dos olhos tristes, quando eu mais preciso que você me abrace e me beije e diga para eu esquecer dos meus problemas? Onde está você quando tudo que vejo é esse vazio? Preciso de você aqui.

Acabei de lembrar da quantidade de vezes em que eu me calei por medo. Medo de opinar, medo de agredir, medo de ser verdadeira. Porque minhas verdades são duras demais.

Carta a alguém distante
Olá, como vai você? Espero que esteja mal, depois de destruir a minha vida. Eu vou bem. Tentando não atirar pedras nas pessoas que passam pelo meu caminho. Tentando não fazer de você um exemplo de como as pessoas podem ser cruéis.
As coisas caminham como sempre. Não vejo ninguém, não ouço nenhum conselho, não tenho a menor vontade de fazer as coisas que estava acostumada. Almoçar, jantar e tomar banho são sacrifícios imensos. Na verdade, o que me falta é o desejo de continuar.
Esse desejo foi friamente assassinado pela sua capacidade de dizer as coisas erradas no momento errado. Acabar com os objetivos na vida de alguém pode ser perigoso. Você, ou melhor, o seu insucesso pode passar a ser o objetivo. Você passa a ser o alvo, entende?
Então é isso. Ainda tento enxergar seus malditos motivos para me machucar com tanta fúria. Talvez se eu entender isso, consiga não pensar em uma vingança dolorosa. Eu queria desejar que você estivesse bem. Mas na verdade eu quero que você esteja morto.
Infelicidades,
Lizzie

24.4.02

vetado

É, eu não sei mesmo lidar com perdas.

Não sei onde vou parar. Enquanto era inocente, enquanto acreditava que havia uma saída, eu podia continuar procurando. Mas agora que sei... não sei.

Eu preciso parar de ler cartas que não são para mim. Eu preciso parar de viver as vidas alheias. Preciso, preciso.

Vale a pena? Vale a pena insistir em uma busca infrutífera por anos e anos? Não, não vale. As decepções têm o poder de uma faca muito afiada.

As poucas certezas que tive um dia já foram embora. Agora eu sou um corpo jogado no mundo. Um cadáver. Porque não faço a menor questão de estar viva.

Já é tarde. Sinto sono, mas meus pensamentos impedem que eu descanse como deveria. Tento não lembrar das coisas que perdi, tento não sentir falta das coisas que não conheci, mas não tenho sucesso algum nisso. O esforço machuca.

22.4.02

Tem uma lua lá fora... e tem aquele nevoeiro em volta dela, sabe? Parece que até o céu está me observando de forma sinistra. Ou será só a minha imaginação?

E você pensa que me conhece? Não, você não me conhece. Eu não me conheço. A única pessoa que me conhece se afastou de mim por medo da minha realidade.

Não tenho mais liberdade para pensar, escrever, falar. Tudo me oprime. A sensação de ser observada me assusta. É como se eu estivesse cometendo o mais grave dos pecados, por sentir. Sentir! Eu vejo sombras em cada canto escuro da casa. Eu sinto a presença de alguém que não me fará mal... mas me assusta. Assusta porque ele me conhece, mas eu não o conheço. Eu não sei de quem me defender, nem como. Acho que não sei mais onde está o meu abrigo. E as bombas caem...

21.4.02

É tudo vazio demais.

Eu não estou aqui. Não é importante, é só que eu já abri mão dessa existência.

Mesmo que eu acredite algumas vezes em minhas próprias mentiras, tem uma hora em que a coisa toda cai como uma bomba sobre a minha cabeça. E aí eu enxergo que não dá para viver uma fantasia por tanto tempo. As máscaras são frágeis demais.

19.4.02

Talvez no fundo eu não queira pular. Apenas saber que posso já me satisfaz. Preciso decidir.

Não quero pensar no que me trouxe ao precipício. O fato é que estou aqui. E já que estou aqui, por que não pular? Gastei meu tempo na escalada. Abri mão de situações mais confortáveis para sentir o prazer de ter o controle da minha vida. Questionei o que tinha, troquei as certezas por um mundo mais livre. E o que ganhei com isso?

18.4.02

Um vazio tão grande... uma falta de sentido tão absoluta. Não, eu não estou bem. Eu quero poder jogar todas as minhas dúvidas em cima de alguém que tenha as respostas. Eu quero entender onde estão os meus motivos para continuar. Eu preciso de uma dose bem forte de compreensão. Preciso de colo, de ajuda, de um abraço.
Não agüento mais essa busca cega. Fico tateando no escuro e só encontro o vazio. E enquanto isso as vozes marcam presença, claro. Dizem que eu não vou conseguir e que o caminh para baixo é sempre mais fácil. E não tem volta. Nunca tem volta.

Eu cansei das mensagens longas que tentavam explicar o que minha consciência (eu tenho uma) diz, o que eu mesma espero da minha vida, o que me faz bem ou não. Não vejo mais sentido em justificar tudo isso. É como se as coisas viessem todas em uma série fixa, sem possibilidade de mudanças. Ao menos, sem possibilidade de mudanças sem que a essência se perca. E eu acredito que tenho que viver cada pequeno desastre que minha vida oferece.
Houve um tempo em que as drogas ofereciam as respostas. Eu mergulhava em cada viagem como se fosse a última e era feliz em "flashes". A euforia servia como consolo para a falta de compreensão que eu tinha do panorama do meu inferno.
Hoje não há consolo algum. Permaneço em uma rotina enfadonha, esperando pela "grande luz" que vai me arrebatar, me trazer de volta ao mundo dos vivos. É óbvio que isso nunca vai acontecer. Não há uma solução assim tão prática.
Revelação? Isso não existe. O que existe é o conformismo com o que é destinado a cada um e uma aparente satisfação com a capacidade de prever onde vai cair o próximo raio.

Como é que pode ser tão estranho e saber tanto de mim? Como é que pode não existir se eu o vejo? Por que ninguém mais o vê?

Preciso dormir. Ele precisa sair da minha janela, da minha mente, da minha VIDA com esses malditos olhos. Olhos de quem sabe muito, mas não quer saber de nada. Acho que ele quer a inocência tanto quanto eu.

Eu sinto e não posso sentir. Eu quero e não posso querer. Eu sonho e não posso sonhar. Isso só pode ser uma brincadeira de muito mau gosto.

Eu preciso do frio, compreende? Eu preciso sentir meus dedos congelando para saber que eles têm vida. Eu preciso sentar em algum lugar vazio e gelado, sentindo o vento no meu rosto.
O inverno é tão meu...

Esse ar meio parado me irrita demais. Noites mornas funcionam como uma injeção de desânimo (é isso mesmo) na minha vida. É tudo assim... cansativo.

Alguém aí sabe o que é dormir uma noite inteira? Não? Nem eu. É, esse inferno já dura alguns meses e eu até esqueci como é que funciona quando a gente encosta a cabeça no travesseiro e simplesmente apaga.
Malditos pesadelos que me perseguem. Todos os meus projetos afundam quando eu durmo. Todas as minhas vontades desaparecem. Eu sou o perfeito retrato de um fracasso humano quando durmo. E o pior de tudo é acordar e perceber que o fracasso é real.

17.4.02

E por que diabos eu tenho que me preocupar tanto assim com os outros? Não é assim. Não pode ser. Eu preciso me concentrar na árdua tarefa de sobreviver.

16.4.02

Por favor, alguém mande a solução para mim. Engarrafada, para tomar de 12 em 12 horas.

Não, eu não posso ser a muleta de ninguém. Mas também não posso abdicar desse papel como se não tivesse sido eu a me colocar justamente como esse apoio. Foi a forma que eu encontrei para prendê-lo e agora não posso escapar.
Mas não quero me aproveitar disso de novo.

Não, eu não vou fazer isso. Eu não posso, tá entendendo? Não posso apagar o que essa pessoa fez (e faz) por mim por conta de um capricho. Não posso ser egoísta, pelo menos dessa vez. Mas que há vontade, isso há.

Estou quase cometendo a insanidade de jogar minhas poucas certezas para o alto e começar a trilhar um novo caminho. Independente de quem possa machucar com isso. E eu sei que vou machucar ao menos uma pessoa.

Está tudo tão confuso em minha vida que não sei por onde começar a consertar as coisas. A cada momento me surpreendo com alguma novidade. Mas nunca são boas novidades. São apenas altas doses de inquietações que fazem com que eu duvide que há uma solução.